- O que faz um corretor de imóveis?
- O que é preciso para ser corretor de imóveis?
- Como funciona a formação para corretor de imóveis?
- Como funciona o registro no CRECI?
- Ter o CRECI significa estar pronto para trabalhar?
- Onde um corretor de imóveis pode trabalhar?
- O que avaliar antes de escolher essa profissão?
- Quais habilidades um corretor iniciante precisará desenvolver?
- Tirei o CRECI. Qual é o próximo passo?
- Perguntas frequentes sobre como ser corretor de imóveis
- Entrar na profissão é o primeiro passo
Para ser corretor de imóveis no Brasil, não basta decidir começar a vender imóveis. A profissão é regulamentada e seu exercício depende de formação adequada e inscrição no Conselho Regional de Corretores de Imóveis — o CRECI.
A Lei nº 6.530/1978 regulamenta a profissão, e o Decreto nº 81.871/1978 estabelece as bases para seu exercício e fiscalização.
Esse é o caminho formal para entrar na atividade.
Mas existe uma diferença importante que quem está pesquisando como ser corretor de imóveis precisa compreender desde o início:
estar legalmente habilitado para exercer a profissão não significa estar comercialmente preparado para conseguir clientes e realizar negócios.
O curso, a formação e o registro profissional levam você até a habilitação. Depois disso começa outra etapa, que envolve conhecer o mercado, prospectar, captar imóveis, atender clientes, negociar e organizar uma rotina profissional.
Neste guia, vamos tratar principalmente da primeira parte: como funciona o caminho para entrar na profissão de corretor de imóveis e chegar à habilitação profissional.
O que faz um corretor de imóveis?
Antes de escolher um curso ou pensar no CRECI, vale entender exatamente qual atividade você pretende exercer.
A Lei nº 6.530/1978 estabelece que compete ao corretor de imóveis exercer a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, além de poder opinar quanto à comercialização imobiliária.
Isso significa que o corretor atua aproximando e auxiliando as partes envolvidas em negócios imobiliários.
Intermediação de compra, venda, permuta e locação
Na compra e venda, por exemplo, o corretor pode atuar entre o proprietário que pretende vender e a pessoa interessada em comprar.
Na locação, pode participar da aproximação entre proprietário e potencial locatário.
Também existem operações de permuta, nas quais imóveis ou outros bens podem fazer parte da negociação.
O trabalho não se resume, porém, a apresentar um imóvel.
Durante uma intermediação profissional podem existir atividades como:
- compreender a necessidade do cliente;
- conhecer o imóvel e as condições da negociação;
- apresentar informações relevantes;
- aproximar as partes;
- acompanhar visitas;
- auxiliar na comunicação e negociação;
- acompanhar etapas do negócio dentro dos limites de sua atuação profissional.
A forma concreta desse trabalho varia conforme o tipo de imóvel, modelo de atuação e características da negociação.
O que significa atuar profissionalmente na intermediação
Existe também uma diferença entre conversar informalmente sobre imóveis e exercer profissionalmente a atividade de corretagem.
O corretor assume responsabilidades perante clientes, outros profissionais e a sociedade.
O Código de Ética Profissional dos Corretores de Imóveis, instituído pela Resolução COFECI nº 326/92, estabelece deveres relacionados, entre outros pontos, ao conhecimento das circunstâncias do negócio, à correção das informações apresentadas e à conduta profissional perante os clientes.
Por isso, entrar na profissão significa mais do que aprender técnicas comerciais.
Significa passar a exercer uma atividade regulamentada.
O que é preciso para ser corretor de imóveis?
Em linhas gerais, quem pretende começar como corretor de imóveis precisa cumprir duas etapas principais:
- obter uma formação admitida para o ingresso profissional;
- solicitar e obter a inscrição no CRECI competente.
A Lei nº 6.530/1978 prevê o título de Técnico em Transações Imobiliárias para o exercício profissional, enquanto o Sistema COFECI-CRECI também orienta sobre determinados diplomas superiores da área imobiliária que podem ser aceitos para fins de inscrição.
Depois da conclusão da formação e da regularização do diploma, o interessado pode solicitar sua inscrição profissional ao Conselho Regional competente.
Portanto, o caminho não é simplesmente:
fazer um curso → começar a trabalhar.
É mais correto pensar assim:
formação regular → conclusão e diploma → pedido de inscrição → análise pelo CRECI → cumprimento das formalidades da inscrição → início do exercício profissional regular.
Como funciona a formação para corretor de imóveis?

A formação é uma das etapas que mais gera dúvidas porque existem diferentes ofertas de cursos no mercado e muita publicidade direcionada a quem pesquisa como entrar na profissão.
O ponto mais importante é não escolher uma instituição apenas porque ela anuncia um curso com o nome “corretor de imóveis”.
Antes da matrícula, é necessário verificar se o curso e a instituição estão devidamente regularizados para a finalidade pretendida.
Técnico em Transações Imobiliárias — TTI
O Técnico em Transações Imobiliárias, conhecido pela sigla TTI, é a formação tradicionalmente associada ao ingresso na profissão.
A própria Lei nº 6.530/1978 prevê o título de Técnico em Transações Imobiliárias, e o COFECI apresenta o TTI como um dos caminhos para obtenção da inscrição profissional.
No TTI, o estágio supervisionado integra a formação. A regulamentação do Sistema COFECI-CRECI estabelece procedimentos relacionados ao registro de estágio, e a orientação oficial do COFECI informa que carga horária e aprovação nessa etapa fazem parte dos requisitos ligados à obtenção do diploma.
O aluno deve confirmar com a instituição de ensino e com o CRECI competente como funcionam, no seu caso, os procedimentos, a carga horária e a operacionalização do estágio.
Não é aconselhável escolher um TTI considerando apenas duração ou preço.
O ponto fundamental é verificar a regularidade da formação antes de investir tempo e dinheiro.
E os cursos superiores na área imobiliária?
Além do TTI, o Sistema COFECI-CRECI admite determinados diplomas de nível superior na área imobiliária para fins de inscrição profissional. A orientação oficial do COFECI menciona cursos superiores relacionados ao setor, mas isso não deve ser interpretado como uma lista fechada e permanente de denominações.
Nomes de cursos, modalidades e regras educacionais podem mudar.
Por isso, antes da matrícula, confirme:
- a regularidade do curso;
- a situação da instituição de ensino;
- se aquele diploma específico é aceito para a inscrição profissional pretendida.
Não basta considerar apenas o nome comercial do curso.
Se houver dúvida, a confirmação deve ser feita junto aos órgãos educacionais competentes e ao CRECI responsável pela futura inscrição.
Como verificar se instituição e curso são regulares
Essa etapa merece atenção especial.
O COFECI orienta o interessado a verificar previamente a regularidade da instituição e do curso antes de iniciar a formação. Também mantém orientações sobre a conferência de diplomas e a necessidade de que a formação esteja devidamente reconhecida nos sistemas educacionais aplicáveis.
Na prática, antes de pagar a matrícula, procure responder:
- O curso é regularmente autorizado?
- A instituição pode oferecer essa formação na modalidade anunciada?
- O diploma emitido será válido para o pedido de inscrição no CRECI?
- Como funciona o estágio supervisionado, no caso do TTI?
- Quais procedimentos devem ser observados perante o CRECI?
Essa checagem preventiva é importante porque concluir uma formação inadequada pode significar descobrir apenas no final que o diploma não atende ao objetivo profissional esperado.
Quando houver dúvida, consulte diretamente o CRECI da sua região antes da matrícula.
Como funciona o registro no CRECI?

Concluir a formação não transforma automaticamente o aluno em corretor de imóveis regularmente inscrito.
Depois de obter o diploma devidamente regularizado, o interessado precisa solicitar a inscrição profissional no Conselho Regional de Corretores de Imóveis.
A Lei nº 6.530/1978 atribui aos Conselhos Regionais funções relacionadas ao registro e à fiscalização dos profissionais, enquanto a Resolução COFECI nº 327/92 disciplina aspectos da inscrição de pessoas físicas no Sistema COFECI-CRECI.
Quando solicitar a inscrição
Em regra, o pedido de inscrição profissional ocorre após a conclusão da formação exigida e a obtenção do respectivo diploma regularizado.
O COFECI orienta que, concluído o curso, o interessado solicite sua inscrição junto ao Conselho Regional competente.
Qual é o papel do Conselho Regional?
O COFECI é o Conselho Federal.
Os CRECIs são os Conselhos Regionais, responsáveis pelo registro e pela fiscalização profissional em suas respectivas jurisdições. A Lei nº 6.530/1978 e o Decreto nº 81.871/1978 estruturam esse sistema.
É no Regional competente que o futuro corretor deve verificar o procedimento concreto de inscrição.
Documentos, taxas e prazos podem variar
É comum encontrar na internet listas fechadas de documentos, valores e prazos para tirar o CRECI.
Esse tipo de informação precisa ser usado com cuidado.
Procedimentos administrativos, valores, formas de protocolo e exigências documentais podem sofrer alterações ou apresentar particularidades.
Por isso, a orientação mais segura é consultar diretamente o CRECI competente quando chegar o momento da inscrição.
O que significa estar regularmente inscrito?
A inscrição no CRECI coloca o profissional dentro do sistema de registro e fiscalização da profissão e permite o exercício regular da atividade dentro das condições estabelecidas pelas normas aplicáveis.
O CRECI, portanto, não é simplesmente um “certificado de curso”.
Curso e registro cumprem funções diferentes:
a formação atende à etapa educacional exigida para ingresso na profissão;
a inscrição profissional regulariza o exercício da atividade perante o Conselho.
Ter o CRECI significa estar pronto para trabalhar?

Aqui está uma das distinções mais importantes para quem está começando.
Ter o CRECI significa estar habilitado profissionalmente. Não significa que clientes, imóveis e negócios aparecerão automaticamente.
O processo de formação e registro responde à pergunta:
“Posso exercer regularmente esta profissão?”
Depois começa outra:
“Como vou construir uma atividade profissional capaz de gerar negócios?”
São problemas diferentes.
Após a habilitação, o corretor ainda precisará desenvolver conhecimentos e processos relacionados ao mercado, prospecção, captação, atendimento, negociação e organização.
Essas competências não substituem a formação nem o CRECI.
Da mesma forma, o CRECI não substitui essas competências.
Um profissional pode estar regularmente inscrito e ainda estar aprendendo como construir seus primeiros relacionamentos comerciais e organizar sua atuação.
Por isso, é útil imaginar duas etapas:
Etapa 1 — entrada formal na profissão: formação + inscrição profissional.
Etapa 2 — construção da atuação profissional: desenvolvimento comercial e prática.
Este artigo trata principalmente da primeira.
Onde um corretor de imóveis pode trabalhar?
Depois de habilitado, o corretor pode organizar sua atuação de diferentes maneiras.
Ele pode exercer a atividade de forma autônoma ou desenvolver seu trabalho junto a empresas do mercado imobiliário.
A legislação prevê ainda, entre as possibilidades existentes, contrato específico de associação entre corretor de imóveis e imobiliária, com as condições próprias estabelecidas em lei. Essa é uma modalidade específica e não significa que toda relação entre corretor e imobiliária tenha automaticamente essa natureza.
A escolha concreta entre essas possibilidades pertence à etapa posterior à habilitação.
Neste momento, para quem ainda está entrando na profissão, o mais importante é entender primeiro os requisitos formais para poder exercer a atividade regularmente.
O que avaliar antes de escolher essa profissão?
A corretagem imobiliária pode parecer atraente porque envolve autonomia, relacionamento com pessoas e possibilidade de remuneração ligada aos negócios realizados.
Mas essa visão precisa vir acompanhada de expectativas realistas.
A renda pode ser variável
Corretagem não deve ser escolhida com base em anúncios prometendo determinado salário ou comissão mensal.
A receita pode variar conforme modelo de atuação, mercado, quantidade e qualidade das oportunidades, ciclo das negociações, condições econômicas e desempenho profissional.
Principalmente no início, é importante considerar que pode existir distância entre começar a atividade e efetivamente concluir negócios.
Você precisará prospectar
Parte importante da atividade comercial envolve criar oportunidades.
Clientes e imóveis não surgem automaticamente porque o profissional recebeu sua inscrição.
Isso significa que, depois de habilitado, o corretor precisará aprender a construir relacionamentos e desenvolver oportunidades comerciais.
Você trabalhará com pessoas em decisões importantes
Comprar, vender ou alugar um imóvel pode envolver valores elevados e decisões relevantes para uma pessoa ou família.
Isso exige escuta, clareza na comunicação, responsabilidade e capacidade de lidar com expectativas diferentes.
Organização importa
A atividade imobiliária envolve contatos, imóveis, documentos, retornos, visitas, prazos e negociações.
Sem algum método de organização, oportunidades podem ser esquecidas e informações importantes podem se perder.
O aprendizado não termina com o curso
A formação necessária para ingressar na profissão é o começo.
Mercado, crédito imobiliário, documentação, tecnologia e comportamento dos consumidores mudam ao longo do tempo.
O corretor precisa continuar aprendendo durante a carreira.
Existem responsabilidades profissionais
O corretor está submetido à legislação e às normas éticas da profissão.
O Código de Ética prevê deveres relacionados à competência, zelo, conhecimento das circunstâncias dos negócios e qualidade das informações prestadas aos clientes.
Portanto, não é uma profissão na qual basta “ser bom de conversa”.
Quais habilidades um corretor iniciante precisará desenvolver?
Depois da habilitação, o trabalho cotidiano exigirá o desenvolvimento de competências como:
- comunicação e escuta;
- conhecimento de mercado;
- organização;
- prospecção;
- atendimento;
- negociação;
- compreensão dos processos imobiliários e dos limites da própria atuação profissional.
Essas competências importam porque o corretor trabalha com pessoas, informações, imóveis, negociações e decisões que exigem acompanhamento responsável.
Comunicar bem não significa apenas falar com desenvoltura: envolve entender o cliente e explicar informações com clareza. Conhecer o mercado ajuda a contextualizar imóveis e expectativas. Organização permite acompanhar contatos e etapas. Prospecção, atendimento e negociação fazem parte da construção de oportunidades e da condução dos relacionamentos profissionais.
Também é necessário compreender progressivamente os processos relacionados a documentação, financiamento e demais etapas das operações imobiliárias, sabendo reconhecer quando uma questão exige a participação de outro profissional especializado.
Nada disso precisa estar plenamente dominado antes da obtenção do CRECI.
Essas competências pertencem à etapa seguinte da trajetória e serão desenvolvidas com estudo, prática e experiência profissional.
Tirei o CRECI. Qual é o próximo passo?
Quando a inscrição profissional é concluída, termina a etapa de entrada formal e começa a etapa de construção da atividade profissional.
Em linhas gerais, os próximos movimentos serão:
- escolher um modelo inicial de atuação;
- conhecer melhor o mercado e a região em que pretende trabalhar;
- começar a construir uma carteira de imóveis;
- desenvolver formas de conseguir clientes;
- estruturar atendimento, acompanhamento e rotina profissional.
Construir uma carteira de imóveis é uma dessas etapas. Para entender esse processo com mais profundidade, consulte também Como captar imóveis: um processo prático para construir sua carteira.
Essas decisões pertencem a uma nova fase.
Primeiro vem a habilitação.
Depois vem a pergunta:
“Agora que tenho o CRECI, como começo efetivamente a trabalhar?”
Perguntas frequentes sobre como ser corretor de imóveis
Preciso de faculdade para ser corretor de imóveis?
Não necessariamente.
A Lei nº 6.530/1978 prevê o título de Técnico em Transações Imobiliárias, e o Sistema COFECI-CRECI também admite determinados diplomas superiores da área imobiliária para fins de inscrição profissional.
Antes de se matricular em qualquer formação, confirme se o curso é regular e se o diploma específico é aceito para a inscrição profissional pretendida.
Posso trabalhar como corretor sem CRECI?
Para exercer regularmente a profissão de corretor de imóveis, não.
A Lei nº 6.530/1978 e o Decreto nº 81.871/1978 vinculam o exercício profissional aos requisitos de formação e inscrição aplicáveis.
O aluno em formação pode estar sujeito às regras próprias de estágio, mas isso não deve ser confundido com o exercício profissional regular de um corretor já inscrito.
Quanto tempo leva para começar?
Não existe um prazo único que possa ser prometido para todas as pessoas.
O tempo depende da formação escolhida, da duração e organização do curso, das etapas acadêmicas aplicáveis — incluindo o estágio supervisionado no caso do TTI —, da regularização do diploma e do processamento da inscrição profissional.
Prazos concretos devem ser confirmados com a instituição de ensino e com o Conselho Regional competente.
Por isso, desconfie de promessas que reduzam todo o processo a um número fixo de dias sem considerar essas etapas.
Posso atuar como corretor autônomo?
Sim. O exercício da profissão não pressupõe que todo corretor mantenha vínculo empregatício com uma imobiliária.
A legislação prevê, entre as possibilidades existentes, contrato específico de associação entre corretor e imobiliária, com autonomia profissional e observância das condições legais aplicáveis. Essa associação é uma modalidade própria e não caracteriza automaticamente todas as relações entre corretores e empresas do setor.
A escolha concreta de como atuar pertence à etapa posterior à habilitação.
Posso começar sem experiência em vendas?
Experiência anterior em vendas pode ajudar, mas não aparece na legislação como requisito para ingresso na profissão.
Os requisitos formais estão relacionados à formação e à inscrição profissional.
Quem começa sem experiência comercial precisará desenvolver, ao longo da prática, competências como comunicação, prospecção, atendimento e negociação.
Entrar na profissão é o primeiro passo
O caminho para ser corretor de imóveis começa por entender que você está entrando em uma profissão regulamentada.
Antes de pensar em captação, anúncios ou primeiras vendas, existe uma sequência básica:
entender a atividade → escolher uma formação regular → concluir a formação → solicitar a inscrição no CRECI → cumprir as formalidades da inscrição → iniciar o exercício profissional regular.
Só então começa uma segunda etapa.
É nela que o corretor terá de aprender a transformar sua habilitação em uma atividade profissional organizada.
Separar essas duas fases evita uma expectativa comum entre iniciantes:
o CRECI permite entrar profissionalmente no mercado, mas não constrói sozinho uma carreira.
A formação e o registro abrem a porta.
O trabalho comercial começa depois.


