- Vendas seguem relevantes, mas lançamentos diminuíram
- Estoque de imóveis verticais caiu para 5.807 unidades
- Minha Casa, Minha Vida respondeu por 76,2% das vendas
- Quais bairros concentraram as vendas
- O que o corretor de Manaus deve observar
- O que os números mostram — e o que não provam
- E o VGV de R$ 1,445 bilhão?
- Dados locais ajudam a acompanhar o mercado, não a prever o futuro
O mercado residencial vertical de Manaus registrou 1.721 unidades vendidas no segundo trimestre de 2026, enquanto foram lançadas 1.174 novas unidades no mesmo período. Ao fim de junho, o estoque disponível era de 5.807 unidades residenciais verticais. Os dados fazem parte de levantamento da Brain Inteligência Estratégica para a ADEMI-AM, divulgado institucionalmente pela CBIC.
Os três números precisam ser lidos em conjunto, mas representam momentos diferentes do mercado.
As vendas mostram o que foi comercializado no trimestre.
O estoque indica a oferta que permanecia disponível ao fim do período.
Os lançamentos ajudam a observar a entrada de novos produtos.
Para o corretor que atua em Manaus, essa diferença é importante porque evita transformar um único indicador em uma conclusão ampla sobre todo o mercado.
Vendas seguem relevantes, mas lançamentos diminuíram
Entre abril e junho de 2026, foram vendidas 1.721 unidades residenciais verticais em Manaus.
No mesmo trimestre, o mercado recebeu 1.174 unidades lançadas.
Para comparação, no segundo trimestre de 2025 haviam sido lançadas 2.760 unidades residenciais verticais.
O contraste chama atenção, mas vendas e lançamentos não medem a mesma coisa.
Vendas representam unidades comercializadas dentro da oferta disponível naquele período.
Lançamentos representam novos produtos colocados no mercado.
Por isso, não é correto olhar para a diferença entre os números e concluir automaticamente que haverá falta de imóveis, aumento de preços ou determinada trajetória futura.
O dado mostra que o volume de novos lançamentos no trimestre ficou abaixo do registrado no mesmo período de 2025.
O que acontecerá depois depende também de fatores como novos empreendimentos, ritmo de vendas, condições de crédito, características dos produtos e comportamento dos diferentes segmentos.
Estoque de imóveis verticais caiu para 5.807 unidades
Ao final de junho de 2026, Manaus possuía 5.807 unidades residenciais verticais disponíveis em estoque, segundo o levantamento.
A redução informada foi de 23,7% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para o corretor, estoque é um indicador especialmente útil porque ajuda a enxergar aquilo que ainda está disponível no mercado observado.
Mas é preciso tomar cuidado com a interpretação.
Estoque menor não prova escassez futura.
Também não significa automaticamente:
- aumento de preços;
- falta de imóveis;
- necessidade de comprar rapidamente;
- manutenção do mesmo ritmo de vendas.
O estoque de hoje é resultado da relação entre aquilo que já estava disponível, o que foi vendido e aquilo que entrou no mercado por meio de novos lançamentos.
Por isso, uma queda merece acompanhamento — não previsão automática.
Minha Casa, Minha Vida respondeu por 76,2% das vendas
O Minha Casa, Minha Vida teve participação expressiva nas vendas de imóveis residenciais verticais no segundo trimestre.
Das 1.721 unidades vendidas, 1.312 estavam enquadradas no programa, o equivalente a 76,2% das vendas do período.
Em termos aproximados, isso representa três em cada quatro unidades residenciais verticais vendidas no trimestre.
O recorte precisa ser preservado.
Esse percentual não significa que 76,2% de todo o mercado imobiliário de Manaus seja MCMV.
Também não permite afirmar que todos os compradores estejam procurando esse segmento ou que a mesma participação continuará nos próximos períodos.
O que o dado mostra é que, entre as unidades residenciais verticais comercializadas no levantamento do segundo trimestre de 2026, o MCMV respondeu pela maior parcela das vendas.
Para quem trabalha com esse segmento, o número reforça a importância de acompanhar de perto os produtos disponíveis e as condições efetivamente vigentes.
Quais bairros concentraram as vendas
O levantamento também mostra como as unidades residenciais verticais vendidas no trimestre se distribuíram entre diferentes bairros.
Os quatro maiores percentuais divulgados foram:
- Ponta Negra: 29,4%
- Lago Azul: 14,5%
- Tarumã-Açu: 13,4%
- Novo Aleixo: 11,1%
A cobertura de A Crítica também registrou essa distribuição das vendas apresentada pela ADEMI-AM.
A leitura correta é:
esses bairros tiveram maior participação nas unidades vendidas no levantamento daquele período.
Isso é diferente de afirmar que Ponta Negra, por exemplo, seja necessariamente “o bairro mais procurado de Manaus” em qualquer tipo de imóvel, faixa de preço ou perfil de comprador.
Venda realizada depende também do produto que estava disponível.
Um bairro com mais empreendimentos ofertados, mais unidades adequadas a determinado segmento ou maior participação de certo tipo de produto pode naturalmente aparecer com volume maior de comercialização.
Para o corretor, portanto, o percentual funciona melhor como sinal para investigar o mercado local do que como ranking definitivo de preferência dos compradores.
O que o corretor de Manaus deve observar
A utilidade desses dados aumenta quando eles mudam alguma rotina de acompanhamento.
1. Atualizar disponibilidade com mais frequência
Quando estoque e entrada de novos produtos estão mudando, trabalhar com material antigo fica ainda mais arriscado.
Antes de apresentar opções:
- confira se a unidade continua disponível;
- valide valores e condições atuais;
- retire opções que já não existem;
- mantenha alternativas reais para o perfil atendido.
O dado agregado não substitui a disponibilidade concreta de cada empreendimento.
2. Acompanhar novos lançamentos
Para quem atua com imóveis novos, os lançamentos ajudam a observar a renovação da oferta.
Como o segundo trimestre de 2026 registrou 1.174 unidades lançadas, diante de 2.760 no mesmo período de 2025, vale acompanhar o que efetivamente entra no mercado nos próximos períodos.
Isso não significa criar urgência com o cliente.
Significa manter a própria carteira e o conhecimento de mercado atualizados.
3. Acompanhar o MCMV no segmento correspondente
Com 76,2% das unidades residenciais verticais vendidas no trimestre enquadradas no Minha Casa, Minha Vida, o programa teve peso relevante naquele recorte.
Para o corretor que atua nesse segmento, isso justifica acompanhar:
- produtos disponíveis;
- perfil de cada empreendimento;
- condições vigentes;
- alterações que possam afetar o atendimento.
Sem presumir que qualquer comprador seja elegível nem transformar o artigo em orientação de financiamento.
4. Separar mercado por região, faixa e tipo de produto
Dizer apenas:
“o mercado de Manaus está forte”
esconde diferenças importantes.
Os próprios dados mostram recortes distintos:
- residencial vertical;
- MCMV;
- outros padrões de produto;
- diferentes bairros;
- estoque;
- lançamentos;
- vendas.
Para uma decisão profissional, quanto mais específica for a situação, mais específico precisa ser o dado usado para entendê-la.

O que os números mostram — e o que não provam
| Os dados mostram | Não provam sozinhos |
|---|---|
| Menos lançamentos no comparativo | Escassez futura inevitável |
| Estoque menor | Alta automática de preços |
| 76,2% das vendas no MCMV | Que todo comprador procura MCMV |
| Ponta Negra liderou participação nas vendas | Que seja o bairro de maior demanda em qualquer segmento |
Esse cuidado é importante porque indicadores de mercado são fáceis de transformar em frases comerciais maiores do que a evidência permite.
O corretor pode usar os números para formular perguntas melhores.
Por exemplo:
- quais produtos continuam disponíveis?
- quais segmentos concentram as vendas?
- onde estão entrando novos empreendimentos?
- quais bairros precisam ser analisados separadamente?
- a oferta que tenho hoje continua compatível com aquilo que meus clientes procuram?
Essas perguntas são mais úteis do que tentar transformar um trimestre em previsão.
E o VGV de R$ 1,445 bilhão?
O levantamento também divulgou um Valor Geral de Vendas de R$ 1,445 bilhão no primeiro semestre de 2026.
Mas esse dado possui um escopo diferente dos indicadores discutidos até aqui.
O VGV divulgado considera Manaus e Iranduba e consolida os segmentos:
- residencial vertical;
- residencial horizontal;
- comercial.
Portanto, o valor não deve ser apresentado como se representasse exclusivamente o mercado residencial vertical de Manaus.
Ele ajuda a contextualizar a movimentação financeira mais ampla capturada pelo levantamento, mas não substitui os recortes específicos de vendas, lançamentos e estoque usados neste artigo.
Dados locais ajudam a acompanhar o mercado, não a prever o futuro
Os números do segundo trimestre mostram uma combinação que merece acompanhamento:
- 1.721 unidades residenciais verticais vendidas;
- 1.174 unidades lançadas;
- 5.807 unidades disponíveis em estoque ao fim de junho;
- forte participação do MCMV nas vendas;
- concentração relevante das unidades comercializadas em alguns bairros.
Para o corretor, isso pode ajudar a:
- atualizar carteira;
- revisar disponibilidade;
- acompanhar novos produtos;
- entender melhor os segmentos em que atua;
- evitar generalizações sobre bairros ou faixas de mercado.
O artigo Como acompanhar o mercado imobiliário sendo corretor de imóveis aprofunda como transformar dados, contexto e sinais locais em acompanhamento profissional sem confundir indicador com previsão.
O ponto principal é separar:
vendas atuais → oferta disponível → entrada futura de novos produtos
Esses indicadores se relacionam.
Mas não dizem exatamente a mesma coisa.
E nenhum deles, isoladamente, autoriza afirmar que haverá escassez, valorização ou determinada trajetória futura para o mercado de Manaus.


